O escritor C. S. Lewis, autor de “Crônicas de Nárnia” e outros clássicos cristãos, depois de exaustiva pesquisa, escreveu: “Os homens que foram mais relevantes e operosos são os que viveram a pensar na vida futura. E os que viveram a vida sem pensar no Céu foram os que menos realizaram de relevante para mudar a sua geração”.
No Sermão do Monte Jesus ensinou que devemos ajuntar “tesouros no céu”, e deu esta razão fundamental: “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21). Ou seja, não podemos dissociar o nosso coração das coisas que realmente valorizamos.
O apóstolo Paulo nos desafiou a pensar “nas coisas lá do alto, onde Cristo vive”, pois nelas está o maior tesouro, “não nas que são aqui da terra” (Cl 3.1,2). Isso significa que somente a ancoragem do ser no plano celestial e eterno é que realmente confere sentido e dignidade à trajetória humana na finitude do nosso tempo.
Desse modo, eu tenho tentado sempre aprender a permanecer com o foco voltado para o Céu, pois entendo que somente isso é que dá pleno sentido à minha existência para enfrentar os desafios difíceis da terra. A questão que sempre rondará a nossa mente, da qual jamais devemos fugir, é sobre o que realmente é valioso na vida.
Em tentar respondê-la, deparo-me com a razão que dá sentido ao que realizo e dignifica a posição que ora ocupo, assim como um farol a me mostrar se o caminho trilhado está de acordo com o que Deus requer de mim. A minha resposta é simples. O que vale a pena, para mim, é ocupar-me das coisas que têm a marca do celestial; ou seja, que servem primeiro ao propósito do Reino de Deus.
Creio que foi por isso que Jesus nos desafiou: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). Assim, nada do que fazemos terá valor algum diante de Deus se não trouxer essa marca.
Isso pode parecer antiquado, mas é assim que devemos enxergar a vida. Devemos nos interessar e dar prioridade àquilo que estava na agenda de Jesus, ao que Ele falou e fez. Sendo o Verbo divino, Ele falou tudo aquilo que todos nós precisávamos ouvir. Por isso, devemos nos voltar intensamente para os Seus ensinamentos, principalmente ao conhecido Sermão do Monte. Eu me pergunto: que mundo teríamos se agregássemos integralmente esses valores à nossa vida?
Jesus falou que os mansos herdariam a terra, mas o que ainda vemos são os poderosos, por força ou oportunismo, tomarem para si o naco dos fracos e indefesos.
Jesus falou em humildade, mas o que estamos a ver são as pessoas se promoverem em busca de fama, posição, riqueza e poder.
Jesus disse que os famintos e sedentos de justiça seriam fartos, mas o que vemos de injustiça ainda não nos remete a isso.
Jesus indicou que os puros de coração verão a Deus, mas sabemos que no mundo pouco resta de pureza que nos remeta a esse encontro.
Desse modo, será que Jesus era um idealista simplório que pregava o inalcançável? De modo nenhum! Assim, pois, aconteça o que acontecer, eu vou continuar crendo no que Jesus falou, pois mesmo sabendo que os Seus ensinamentos na prática tenham pouca relevância para a maioria das pessoas, um dia o mundo verá que Ele tinha razão.
Devemos nos ocupar com as coisas que têm valor no Céu. Assim como a oração, o jejum e a palavra de Deus tinham um lugar especial e único na agenda de Jesus, precisamos colocar esses pontos como essenciais na nossa vida e da Igreja.
A constância da nossa oração e jejum expressa o grau de nosso relacionamento com Deus. Na oração, podemos adorá-lo, louvá-lo e agradecê-lo; podemos também confessar, suplicar e interceder. No jejum, nos humilhamos diante de Deus; e, em vez de barganhas religiosas, nos despojamos de nós mesmos e nos entregamos totalmente a Ele com confiança, a fim de obtermos mais de Sua Presença e Virtude.
Se fizermos desses ensinamentos de Jesus a parte principal da agenda das nossas vidas e nos mantermos focados nas coisas do Céu, eles poderão produzir grandes frutos espirituais e nos manterão atentos ao cumprimento da vontade de Deus aqui e agora na terra.
Quando nos mantemos focados nas coisas do Céu, procuramos nos esvaziar dos nossos motivos egoístas e razões absurdas, para nos enchermos do conhecimento de Sua perfeita vontade e sermos capacitados do poder para realizá-la. Ao focarmos nas coisas do céu, isso nos ajudará a sermos mais santos e menos mesquinhos, mais úteis e menos fúteis na vida, pois na sua prática nos encontraremos mais próximos do coração de Deus.
A vida perde o sentido se só pensamos nos valores terrenos e efêmeros. Focar a existência nas coisas do Céu ajuda a arrumar a nossa vida na terra e nos torna vitoriosos! Pense nas coisas do Céu!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém