Somos todos Filhos de Deus?

É muito comum ouvirmos no cotidiano a frase: “Deus é Pai, não é padrasto”. Essa é uma expressão popular que reflete no psiquismo coletivo da humanidade, de certa forma, uma confiança na bondade e providência divina. Do mesmo modo, afirma-se com frequência que todos somos filhos de Deus, como se a simples existência garantisse a todos o mesmo vínculo de filiação com o Criador. Mas o que a Bíblia realmente nos ensina sobre isso?

Sob a ótica bíblica da Criação, é indiscutível que todo ser humano pertence a Deus por direito criacional. Fomos formados por Suas mãos e recebemos Dele o fôlego de vida (Gn 2.7; Sl 139.13-14). Contudo, a teologia bíblica faz uma distinção clara e profunda entre ser criatura de Deus e ser filho de Deus.

Quando Deus projetou a humanidade, fez o homem à Sua imagem e semelhança para reinar na terra em Seu nome (Gn 1.26-27). Essa “Imago Dei” nos dotou de personalidade, consciência moral, capacidade de amar, criar e governar, bem como o arbítrio da obediência e temor a Deus. O propósito original do Criador era o de manter sempre comunhão íntima, plena e diária com o homem, como ocorreu no Éden (Gn 3.8).

No entanto, a entrada do pecado no mundo, pela desobediência do homem, rompeu definitivamente essa harmonia. O apóstolo Paulo assim diagnosticou essa condição: Porque todos pecaram e destituídos ficaram da glória de Deus (Rm 3.23). O pecado não apenas danificou a nossa natureza, mas causou um “desvio de rota existencial”, gerando um abismo moral e espiritual entre o homem e Deus.

Essa separação gerou uma carência existencial profunda. Como bem observou o filósofo e matemático Blaise Pascal: Há no coração do homem um vazio do tamanho de Deus. O Rei Davi expressou essa  condição como sede espiritual: A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo (Sl 42.2).

Por não compreenderem o vazio ou sede, ao longo da história, as culturas tentaram preencher esse abismo criando suas próprias religiões, filosofias, ídolos e sistemas de obras, que são meras tentativas humanas e ineficazes de alcançar os favores do céu.

Todavia, a grande notícia é que Deus favoreceu toda a humidade através de uma “Ponte de Redenção” na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo. Por nós mesmos não conseguiríamos subir até Deus, então Deus desceu até nós, a fim de corrigir a nossa trajetória, restaurar a comunhão perdida e saciar essa sede de sentido. Deus então enviou o Seu Filho Unigênito, que declarou: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14).

A Bíblia nos mostra que a reconciliação não se dá por méritos pessoais, tradições religiosas ou devoção a santos e ídolos. Ela ocorre exclusivamente por meio do sacrifício vicário de Cristo Jesus na cruz. Ele assumiu as nossas dores, morreu pelos nossos pecados, ressuscitou ao terceiro dia para nossa justificativa e ascendeu aos céus, onde intercede por nós à direita do Pai (Rm 8.34).

Jesus declarou: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6). A Escritura confirma essa exclusividade salvífica: Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (1Tm 2.5). Jesus é o novo e vivo caminho que rasga o véu da separação entre nós e Deus e nos reconecta ao propósito original do Criador (Hb 10.20).

Como, então, podemos sair da condição de criaturas caídas para a posição de filhos de Deus? A resposta bíblica passa obrigatoriamente pela experiência da redenção e da adoção. Em um diálogo transformador com o mestre da lei Nicodemos, Jesus revelou a condição essencial para fazer parte do Reino do Pai: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus (Jo 3.3).

O novo nascimento não é uma reforma moral externa, mas uma regeneração espiritual interior realizada pelo Espírito Santo quando nos arrependemos e cremos em Jesus. É nesse instante que experimentamos a filiação real e a verdadeira adoração a Deus.

O apóstolo João sintetizou com precisão a chave dessa transformação: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome (Jo 1.12). Assim, filiação divina não é um privilégio elitista ou reservado a um grupo especial de religiosos, mas uma promessa aberta a todo aquele que se arrepende de seus pecados e busca sinceramente a salvação em Cristo Jesus. Ao recebermos a Cristo como Senhor e Salvador, o próprio Espírito Santo passa a habitar em nós, testificando com o nosso espírito que “somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

Não viva apenas como uma criatura distante de seu Criador. Abandone os atalhos religiosos e receba a Jesus Cristo em seu coração hoje mesmo como Senhor e Salvador. Experimente a plenitude, a paz e a verdadeira alegria de estar em Cristo e, assim, poder olhar para o Céu e chamar a Deus de “meu Pai”.

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

CADB

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Convenção da assembleia de Deus no Brasil

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