Recuperar oportunidades perdidas é o sonho de muita gente. Mas, geralmente, muitos não sabem como fazê-lo. Eu pretendo lhe explicar como isso é possível. E começo por afirmar que recuperar as oportunidades perdidas tem a ver com o que o apóstolo Paulo chamou de “remir o tempo”.
Vamos, então, ao significado de remir o tempo e a importância disso para a sua caminhada de fé com o Senhor Jesus. Leia atentamente o texto bíblico: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo porque os dias são maus.”(Efésios 5.15,16).
Andar como néscio é viver por experimentação, por tentativa e erro, para ver se vai dar certo. Andar como sábio é aplicar todo o saber ou revelação da verdade que nos está disponível para o nosso proveito e bem comum, uma vez que a sabedoria é essencialmente a prática do conhecimento. Quando isto ocorre, o que resta é trabalhar duro para remir o tempo.
A palavra “tempo” utilizada por Paulo é “kayrós”, não “chronos”. O tempo chronos é o tempo cronológico, sequencial e linear, que passa em definitivo, com a marcação de segundos, minutos e horas, dias e anos, pelo relógio que nunca para.
O tempo kayrós, para os gregos, não era um tempo quantitativo, como o chronos, mas tinha o significado de “momento certo” ou “momento oportuno”, sendo uma ocasião indeterminada no tempo em que algo especial acontecia. Na teologia bíblica, a palavra é utilizada para descrever “o tempo de Deus” ou “o tempo da Sua visitação”, ou ainda “tempo da oportunidade”. Este tempo ocorre quando Deus opera uma graça especial para a realização de um propósito específico conforme a Sua santa e perfeita vontade.
Quando utilizamos o verbo remir em relação ao tempo kayrós, estamos necessariamente apontando para o passado, para as oportunidades perdidas, que precisam ser readquiridas.
O verbo remir significa obter de novo o que se perdeu; readquirir o que saiu da nossa posse ou controle. Portanto, remir algo significa comprá-lo de volta, recuperar a sua posse.
Remir o tempo significa, portanto, resgatá-lo por um preço, trazendo em si a ideia de reaquisição a título oneroso, embora isso não tenha a ver com dinheiro. O tempo chronos não pode ser resgatado, só o kayrós. Assim, “comprar de volta” o tempo kayrós perdido, as oportunidades de Deus perdidas no tempo da nossa caminhada, vai nos custar alguma coisa, algum sacrifício, para as reaproveitarmos, de algum modo, segundo a vontade de Deus, a fim de vivermos um novo e produtivo momento na nossa vida. Estabelecer o “custo” é uma exclusividade de Deus; portanto, busquemos a Deus e esperemos que o Espírito Santo nos dirija nessa descoberta.
Toda graça tem um ciclo próprio, que começa e termina, dando início a um novo ciclo, e assim por diante. Cada oportunidade que Deus nos dá vem acompanhada de uma graça para a sua plena efetivação. Quando perdemos uma oportunidade, o próximo ciclo da graça fica comprometido e pode não se realizar.
Ao revisitarmos o nosso passado, e então identificarmos, com a ajuda do Espírito Santo, cada oportunidade perdida, comecemos por pedir perdão a Deus; e depois, com sinceridade de coração, firmar e afirmar o nosso compromisso de obedecer a Deus incondicionalmente, quando esta visitação voltar a se instalar com uma renovada graça.
Um sinal de que o arrependimento é verdadeiro é quando, no coração, cada um de nós puder fazer principalmente essas três afirmações:
(1) “Eu não faria de novo.” Isso tem a ver com os erros, os pecados cometidos, o conjunto das coisas impróprias e demais desobediências implícitas. Muito embora nenhum de nós tenha a menor condição ou fortaleza para não fazer de novo, a nossa decisão pessoal é onde começa a operação da graça de Deus para nos fortalecer a fim de nunca mais repetirmos tal ação.
(2) “Eu faria de um modo diferente.” Isso refere-se às realizações que foram feitas sem excelência, ou de um modo inapropriado, que deixaram a desejar, as quais não alcançaram o inteiro propósito de Deus. Quando decidimos isso, a graça de Deus opera para nos conceder uma nova oportunidade e nos levar a realizá-la em um novo patamar de excelência.
(3) “Quando o Senhor me der uma nova oportunidade, eu não a perderei.” Isso diz respeito à disposição de acertar, de crescer e avançar para novas conquistas, sob a dependência do Espírito Santo como nosso Instrutor e Guia. Essa decisão é a porta de entrada para a graça de reconhecer o tempo e o modo dos kayrós de Deus em nossa vida e, assim, nunca mais perdê-los ou deixá-los passar em branco.
Desse modo, uma vez tomadas essas posições esperando inteiramente na manifestação da graça do Senhor, só nos resta esperar de Deus que nos visite com novas e boas oportunidades, a fim de realizarmos a sua “boa, agradável e perfeita vontade”, segundo o Seu poder que opera eficazmente em nós. E, certamente, o Senhor Deus o fará, para o nosso crescimento na fé e para a glória do Seu Santo nome! Amém!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém