Somos conhecidos pelo nosso fruto

Jesus disse que “cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto”; e então adicionou: “Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto”. Jesus estava a ensinar, com essa metáfora, o que ocorre com o comportamento humano (em termos de pensamentos, palavras e ações), indicando que “alguém só pode dar o que tem”. Por isso, Jesus acrescentou: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Lc 6.43-45)

Em outras palavras, isso significa que aquilo que ocupa o nosso pensamento, dá vazão à nossa fala, e se transforma em ações, é uma expressão do nosso caráter, mostrando ao mundo a pessoa que realmente somos. Assim, no tempo e oportunidade certos, os hipócritas logo mostrarão que são sepulcros caiados, os lobos disfarçados com pele de ovelha demonstrarão a fera que realmente são por dentro.

“Quem vê cara não vê coração” – essa é uma expressão popular que significa que apenas a aparência física ou o jeito externo de uma pessoa não mostra necessariamente como ela é por dentro. Essa frase é comumente usada para lembrar que não devemos julgar os outros depressa demais, apenas pela aparência, pois podemos nos enganar ou nos decepcionar. Ou seja, alguém pode ter um rosto bonito, um sorriso simpático ou roupas chiques, mas ter um caráter ruim ou intenções maldosas.

Agora, como poderíamos julgar uma árvore senão pelos seus frutos? Ora, com o desmatamento desmedido, em face do crescimento acelerado das cidades, atualmente a maioria das pessoas cresce sem saber identificar uma árvore pelos seus frutos. Principalmente no hemisfério Norte, por ocasião do inverno, quando muitas variedades de árvores ficam despidas de sua folhagem, torna-se impossível distinguir umas das outras. Mas quando elas frutificam, pronto! As dúvidas desaparecem.

“Pelos seus frutos os conhecereis” – Jesus não está falando de botânica, está tratando de caráter, em como identificá-lo nas nossas relações humanas. Isso é extremamente necessário, principalmente quando os padrões da moral e dos bons costumes estão sendo relativizados e banalizados. Isso resulta em as pessoas se tornarem mais frias e oportunistas, e assim, menos saberem identificar o verdadeiro padrão de integridade e dignidade.

Jesus vaticinou que cresceria o número de lobos vestidos de ovelhas, mercenários fantasiados de pastores, coaches fingindo-se de mestres, joio tentando se passar por trigo; e, como resultado, os escândalos se sucederiam como rotina maligna para tentar desautorizar o Evangelho do Reino de Deus pelos maus frutos daqueles que deveriam honrá-lo com sua pregação e prática de vida. (Mt 7.15; Jo 10.1-14)

Certa feita, em Londres (Inglaterra), um pastor pegou um ônibus, pagou a passagem, recebeu o troco e foi sentar-se. Ao contar o dinheiro, deu-se conta de ter recebido uma quantia maior que a devida. Decidiu retornar e devolver o excedente ao cobrador.

“O senhor me deu dinheiro a mais” – disse o pastor.

O cobrador lhe respondeu: “Eu sei. Estive ontem na sua igreja e o vi pregando sobre fidelidade. Eu só queria saber se o senhor vive o que prega”.

Esse foi um vigoroso teste de que “cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto”. E quando Jesus fala isto, Ele está dizendo metaforicamente que o fruto é a expressão do caráter: se a árvore é boa, o fruto é bom; ou seja, o caráter produz honra. Se a árvore é má, o fruto é mau, isto é, o caráter produz desonra.

E precisamos saber que, quanto ao caráter, o ser humano só tem duas opções:

(1) Produzir mau fruto: “as obras da carne”. “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas. O resultado é que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-22). Isso ocorre quando o ego (ou “carne”) governa as decisões e escolhas, atitudes e ações de uma pessoa.

(2) Produzir bom fruto: “o fruto do Espírito”. “O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22,23). Isso ocorre apenas quando a pessoa vive sob o governo do Espírito Santo, o que a capacita a possuir o reino de Deus, aqui e agora, e a herdá-lo por toda a eternidade.

Toda pessoa precisa se arrepender de seus pecados e confessar a Jesus para ser perdoada e salva. A isso Jesus chamou de “novo nascimento” (Jo 3.5). O propósito de Deus é que sejamos “conformes à imagem de Seu Filho” (Rm 8.29). Imagem é caráter. E o nosso caráter precisa repercutir no nosso trabalho, nas obras de nossas mãos.

O caráter é construído. Semeia-se um pensamento, colhe-se um ato. Semeia-se um ato, colhe-se um hábito. Semeia-se um hábito, colhe-se o caráter. Ou seja, tornamo-nos aquilo que praticamos.

Quando semeamos o caráter, colhemos o destino. Porque, em suma, cada pessoa é o seu caráter. Sejamos, pois, como a árvore boa que produz bom fruto, e o nosso destino será glorioso!

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

CADB

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Convenção da assembleia de Deus no Brasil

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