Um grupo de crianças de uma escola foi visitar o Circo Internacional que chegara à cidade, sendo então conduzidos pelo cuidador dos animais. Ao passarem pelos elefantes, estavam todos presos pelos pés com uma fina corrente. Preocupada, a professora falou para os alunos ficarem distantes, pois os elefantes poderiam se soltar e correr atrás deles. O cuidador lhes disse que não havia nenhum problema, que eles não iriam se soltar de jeito nenhum.
“Como não? Eles são tão fortes, e as correntes, de tão finas, como poderiam segurá-los?” – indagou a professora.
Então o cuidador lhe disse: “Cada elefante, desde recém-nascido, é amarrado a uma estaca com uma corrente grossa e forte. Ele tenta se soltar, mas não consegue. Ele repete a mesma ação por muito tempo, fracassando em todas as tentativas, até que acredita ser impossível se libertar. Ao crescer, o elefante continua amarrado, mas agora com uma corrente fina; mas não tenta mais se soltar.”
O problema é que o elefante passou a acreditar que não conseguiria se soltar e desistiu de tentar, mesmo sendo fisicamente capaz de romper a corda. Essa é uma metáfora que ilustra como a crença de não poder realizar algo, mesmo quando é plenamente possível, pode limitar o potencial de alguém por mantê-lo na definitiva e fracassada posição de que não pode.
Isso mostra como as experiências negativas ou a crença em limitações do passado podem influenciar as decisões e comportamentos no presente, mesmo quando as condições atuais são diferentes. O elefante, por ter acreditado que era impossível se soltar quando era pequeno, mantém essa crença, mesmo quando a corrente que o prende agora é muito fraca e não representa quase nenhum impedimento.
Isto pode ser aplicado a diversas situações. Um profissional, por ter sido frustrado em uma promoção no passado, pode acreditar que não pode alcançar um determinado cargo ou função, mesmo tendo as qualificações necessárias. Nos negócios, fracassos ocasionais enquanto tentava o êxito, podem servir para impedir um empresário de prosseguir avante em suas conquistas, deixando-o temeroso de tentar novas oportunidades; e assim, levá-lo a ficar parado no tempo e achar-se um fracassado.
Nos estudos, um aluno, por ter falhado no passado em uma determinada matéria, acaba desistindo de estudar, mesmo que as outras matérias tenham níveis de dificuldades menores ou sejam simplesmente fáceis. Na vida, uma pessoa pode desistir de seu sonho, tão somente por ter sido criticada, rotulada, impedida ou desanimada por alguém no passado.
Em suma, essa metáfora do elefante é uma boa ferramenta psicológica para reflexão sobre a importância de não se deixar limitar, em hipótese alguma, pelas experiências negativas do passado. Antes, reconhecer o seu potencial e passar a acreditar que é capaz de superar os desafios da caminhada, com a ajuda de Deus, a fim de alcançar seus objetivos propostos, mesmo quando os desafios são grandes ou as condições pareçam difíceis. Como se vê, tudo depende da mentalidade concernente ao próprio potencial.
O problema, pois, não é falhar em uma ação, fracassar em um negócio, ser preterido por não estar ainda pronto, sofrer críticas justas ou injustas, ou qualquer outra adversidade, mas o que fazer a partir dessas situações. Porque a decisão de continuar avante e aprender com as suas experiências é que definirá a pessoa em que virá a se tornar e lhe preparará para o sucesso mais à frente.
O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, um povo acostumado a ser ludibriado com as “cortinas de fumaça” psicológica de “pão e circo” que os mantinham calados e aprisionados, a fim de viverem a mesmice medíocre da dominação dos poderosos, aconselhou aos discípulos de Cristo: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).
Paulo está dizendo que não nos deixemos moldar por nenhuma filosofia ou ideologia deste mundo que nos prenda, roube a nossa alma e, assim, nos tire do eixo do nosso propósito de vida. Antes, devemos buscar a renovação constante da nossa mentalidade, ajustando e equilibrando o nosso modo de pensar sobre o potencial que Deus concedeu a cada um de nós. Porque é exatamente isso que nos habilita a experimentar toda a vontade de Deus em nossa vida como se fosse algo absolutamente normal e plenamente realizável.
Quem disse, pois, que não podemos? Ora, se Deus diz que podemos, então podemos! É por isso que cada filho de Deus pode afirmar: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13).
Saibamos que a vontade de Deus é nos tornar “mais que vencedores, por meio de Jesus que nos amou” (Rm 8.37). Isso requer que a nossa mente seja diariamente nutrida com a Palavra de Deus, pois é ela que nos habilita a pensar como Deus pensa e a agir como Deus age. E assim, orando com confiança nas promessas de Deus, podemos romper as correntes psicológicas que nos prendem, a fim de obtermos bom êxito em tudo que realizarmos.
Em agindo assim, tudo faremos na força que Deus supre, até que a vitória se consolide. Amém!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém