Agora mesmo, em vários países, milhares de cristãos estão sendo perseguidos, torturados e mortos por causa da sua fé em Jesus Cristo. Por que não desistem de seguir a Jesus e vivem? Por que continuar sendo fiel a Deus e morrer? A resposta, pelo testemunho deles, é que mesmo diante do perigo e da morte iminentes, Deus não lhes parece, de modo algum, estar distante; e eles, mesmo em face do martírio, se sentem seguros nas mãos de Deus. Pois eles também sabem que, uma vez que se começa a caminhar com Deus, só precisam continuar andando com Ele, e toda a vida torna-se uma longa caminhada com um final eternamente feliz.
Isso é bem diferente do que costumeiramente podemos presenciar em lugares onde há plena liberdade de servir a Deus. Não poucos cristãos se sentem conturbados por acharem que Deus parece estar distante, sem se preocupar com suas necessidades pessoais ou com nada que façam ou deixem de fazer. Deus não somente parece estar distante, mas também se mantém calado. O resultado imediato disso é que essas pessoas têm enorme dificuldade para se relacionarem com Deus, e negam a Cristo por qualquer coisa.
Alguns casos, particularmente, não são nada fáceis de entender. Em outros casos, porém, a verdadeira razão logo aparece: culpa, pecado não confessado, espírito de vingança, orgulho, vícios, ansiedade, e assim por diante. Nesses casos, torna-se necessário haver confissão de pecados, restituição, perdão, enfim, o abandono completo de comportamentos destrutivos e o retorno humilde ao Senhor.
Eu já vi muitas vidas serem restauradas, pois é certo que “as misericórdias do Senhor não têm fim”. E ainda: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).
No entanto, quando não há nenhum pecado evidente, pois a pessoa mantém uma vida limpa e submissa ao Senhor Jesus, medita na Palavra de Deus e ora com persistência, o melhor conselho que eu posso oferecer é este: Mantenha o curso da sua vida normalmente, espere no Senhor e continue a fazer o bem. Ele dará a resposta e solução no tempo e do modo certos.
A Bíblia apresenta exemplos de pessoas que enfrentaram problemas semelhantes, algumas das quais eram realmente santas e tementes a Deus. O profeta Jeremias, por exemplo, era reconhecidamente um profeta de Deus. Ele marcou tão profundamente a alma da nação israelita que Jesus, cerca de 650 anos depois, foi comparado a ele, certamente por causa do mesmo espírito de compaixão (Mt 16.14).
Jeremias passou por momentos difíceis na sua relação com Deus, pois sentia como se Deus estivesse distante e em oposição a ele. Numa descrição estonteante, Jeremias descreve a sua angústia em relação a Deus (Leia Lamentações 3.1-25).
Jeremias sentia como se Deus tivesse voltado contra ele a Sua mão (v.2). Ele clamava, mas parecia não ser ouvido (v.8). Sentia-se como se Deus o estivesse caçando (v.10). Via-se como motivo de escárnio do povo e objeto de suas canções (v.14). De tanto não ter paz na alma, chegou a esquecer-se do bem (v.17). Por fim, achou que a sua esperança no Senhor havia acabado (v.18). Mas uma coisa aconteceu: ao colocar a sua tristeza em palavras, Jeremias viu que uma luz penetrava na escuridão e restaurava a sua esperança no Senhor. Ele passou a fazer afirmações de fé e buscou trazer à memória o que lhe podia dar esperança (v.21).
Então ele concluiu: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca” (vs.21-25).
Paulo foi perseguido, ameaçado, preso, espancado, humilhado, tudo por pregar o Evangelho de Cristo. Mas era isto que o definia: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21).
Por causa do silêncio de Deus, ou de Sua suposta ausência, muitos carregam o fardo pesado da ansiedade. Mas a ansiedade existe praticamente devido a problemas do amanhã que assumimos como nossos, quando deveríamos colocá-los nas mãos de Deus. Pedro ensinou que devemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós (1Pe 5.7).
Quanto aos erros do passado e as suas sobras, só resta confissão e abandono, buscando o perdão e a restauração do Senhor. Quanto às preocupações da vida, é mister deixá-las aos cuidados de Deus; relaxe e siga a orientação do Espírito: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá” (Sl 55.22).
Se você pensa que, por causa da aparente grandeza dos seus problemas, Deus lhe parece distante, não se desespere. Confie em Deus, ore e conte tudo a Ele. Continue a andar corretamente, e a luz de Deus penetrará a sua alma e iluminará o seu caminho. E então você perceberá que a provação pela qual passou lhe tornou mais forte e saberá que Deus sempre esteve perto e cuidando de você.
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém