Na classe do segundo ano fundamental, uma professora deu uma aula de revisão sobre o ímã e o que ele faz, pois no dia seguinte haveria uma prova de Ciências. Uma das questões que caiu na prova foi esta: “O meu nome tem três letras. Tem um ‘a’ com um til. Eu cato coisas. Quem sou eu?” Quando as provas foram entregues, a professora ficou surpresa ao verificar que a maioria dos alunos respondeu: “Mãe”.
De certo modo, esses alunos estavam corretos, pois as mães realmente “catam coisas”. Porém elas são muito mais do que meros “ímãs domésticos”, costumeiramente catando coisas (como brinquedos, roupas, sapatos etc.) que ficam jogadas por toda a casa. Elas têm, decerto, uma vocação muito mais elevada, catando “outras coisas” imateriais (confidências, compreensão, aceitação, segurança etc.) que só podem ser reunidas por um coração generoso e descomplicado, compassivo e terno, amoroso e perdoador.
Lembro-me da minha mãe, a querida “Neguinha”, que todos os seus filhos e filhas, netos e bisnetos, também chamariam de abençoado “imã” que catava coisas. Ela cuidava bem da nossa família e perseverava em construir em seu lar uma atmosfera onde vicejava o amor que transcendia barreiras e acolhia os diferentes e sarava as feridas dos corações incompreendidos. Quando precisávamos de alguém que nos escutasse, ela estava presente; e tínhamos dela uma palavra de conforto, um afago, um abraço caloroso. Ela sempre nos acolhia com a alma larga de aceitação e sob o terno pulsar de um coração que amava incondicionalmente.
Terezinha Duarte Câmara era o seu nome; e ela agora está com o Senhor. O seu coração foi plenamente materno e dedicamente missionário. Em 1978, quando meu pai Severo Câmara foi acometido de um aneurisma cerebral gravíssimo, mamãe foi movida por sua fé em Deus e por amor ao esposo, e então fez esta oração: “Senhor, se de todo curares o meu esposo eu dedicarei a vida de meus filhos para a tua obra”. O Senhor aceitou o voto, restabeleceu a saúde de papai e eu, ainda adolescente, fui o primeiro – seguido pelo Jonatas e pelos demais irmãos – a dedicar-me ao chamado de Deus no ministério de Cristo. Enquanto chorava com saudade dos filhos, mamãe era confortada por papai: “Lembra que você entregou nossos filhos para a obra.” E Neguinha catava suas próprias emoções e confiava em Deus.
Tenho por certo que muitos filhos falariam boas e merecidas coisas de suas mães. E tais filhos sabem que as mães merecem a homenagem de terem um dia especial, muito embora também saibam que elas devem ser honradas em todos os dias do ano. Neste segundo domingo de Maio, temos uma ótima oportunidade para pensar sobre a importância e o respeito devidos às mães, não somente nesse dia específico e solitário, mas em todo o tempo. O ditado popular: “mãe é uma só”, lembra a cada filho do seu dever de cuidar da sua mamãe como se fora uma flor única e rara e, portanto, de inestimável valor.
A palavra mãe, pela extensão de sua natureza e propósito, pode ser usada como sinônima de muitas outras. Sacrifício, dedicação, cuidado, abnegação, perdão, aceitação, amor, todas são palavras que andam sempre ao lado do sagrado ofício de ser mãe.
A mãe, como um ímã, tem o potencial de juntar coisas boas. Ser mãe é educar, cuidar, preparar para a vida; é dar segurança, conforto, afeto. É amar incondicionalmente, é sacrificar-se desmedidamente. É assim que muitas mães deixam de lado seu próprio futuro, simplesmente para dar aos filhos uma oportunidade de estarem mais bem preparados para enfrentar a vida. Muitas, nesse afã, enterram seus próprios sonhos. Outras, só muito mais tarde, quando o peso da idade já não ajuda, é que procuram, numa nova atividade, dar um pouco de sentido ao resto de seus dias.
Por tudo o que as mães representam, bem fazem os filhos e filhas em honrá-las. Mas não fiquemos apenas com um dia por ano. Sempre que possível, devemos agradá-la e fazê-la saber de sua importância e valor, além de oferecer sua ajuda e conforto. Devemos, portanto, expressar sempre o nosso amor e reconhecimento, sabendo que somos devedores e que, agora, é a nossa vez de catarmos as melhores atitudes e oportunidades para suprirmos as necessidades de nossas mães.
A minha mensagem aos filhos é esta: amem e honrem suas mães, não só com palavras, mas também com atitudes e ações. A minha mensagem às mães é que elas podem voltar a catar seus antigos sonhos, quaisquer que sejam. Elas podem catar forças em Deus para vencer novos desafios. A sagrada tarefa de “catar coisas” na família pode ser a maior de todas, mas a vida continua.
Oro para que as mães cuja vida tem sido um fardo pesado, que sofrem injustiças de seus filhos, que não recebem o devido reconhecimento, entreguem seus pesados fardos e suas almas cansadas nas mãos de Cristo, que também é especialista em catar coisas, salvar vidas e mudar destinos.
Vida plena e feliz em Cristo a todas as mães!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém