A Igreja e a Urgência da Reflexão Global

Eventos internacionais como a COP 30 são plataformas essenciais que elevam o debate climático, reunindo líderes, cientistas, ativistas e comunidades movidas a uma ação coordenada diante de crises ambientais que normalmente não reconhecem fronteiras. A visibilidade gerada por uma COP pode apresentar dados científicos e testemunhos humanos concernente ao estado do meio ambiente, além de pressionar governos e corporações a reavaliarem suas práticas e inspirar comunidades inteiras a adotar estilos de vida e produtividade mais sustentáveis.

Esta conferência é um convite a uma mudança de paradigma na relação humana com a natureza, transformando a urgência em compromisso duradouro. Cada indivíduo é chamado a reconhecer seu papel intrínseco no palco da vida e assumir sua parcela na responsabilidade de “cultivar e guardar” nosso lar comum, conforme nos ordena Deus nas Sagradas Escrituras (Gênesis 2.15).

A COP 30 tem o condão de intensificar as cobranças sobre governos e cidadãos, delineando responsabilidades distintas, mas complementares, para o enfrentamento das crises climáticas.

Para os governos, conforme o protocolo, exigir-se-á o compromisso do cumprimento efetivo das metas concordadas e estabelecidas: a) Planos claros e mensuráveis para limitar os danos ao meio ambiente, além de regulamentação efetiva de combate ao desmatamento, incentivo a energias renováveis, com fiscalização contundente; b) Estilos de vida sustentáveis, com consumo consciente, redução do desperdício e uso eficiente de recursos em todas as esferas da vida; c) Conscientização, em promover a educação para promover uma cultura de responsabilidade ecológica; d) Inovação, em impulsionar soluções criativas e sustentáveis, contribuindo para um desenvolvimento econômico que respeite o meio ambiente… entre outras.

Sabemos que há um claro embasamento bíblico para o cuidado ambiental, que oferece uma sólida fundamentação moral e ética para o cuidado com a criação, enraizada na própria natureza de Deus e no Seu propósito original para a humanidade. A ordenança de “cultivar e guardar” não nos oferece uma licença para a exploração, mas sim um chamado à mordomia, com implicações em um trabalho produtivo e sustentável, bem como de proteção e preservação do meio ambiente (Gênesis 2.15).

O domínio ou governo a que Deus investiu o homem sobre a terra (“Domine o homem sobre a terra” – Gênesis 1.26-28) tem de ser visto como mordomia, jamais como tirania. E isso tem a ver com a responsabilidade de gerenciar todos os recursos terrenos, em nome de Deus, na imitação do Seu cuidado amoroso, que precisa ser expresso como um serviço, não como poder arbitrário, em focar na administração dos recursos para o bem-estar de todos, a longo prazo.

Jesus mostra, em alguma parábolas, que a gestão tem de ser responsável (Mateus 25.14-30; Lucas 19.11-27). O princípio da gestão responsável dos recursos confiados aplica-se diretamente à criação. Somos chamados a multiplicar e cuidar do que recebemos, não a negligenciar ou destruir. Investir em tecnologias limpas ou recuperar áreas degradadas pode exemplificar essa atitude.

Não é sem razão que Jesus nos convida à observação da natureza – aves, lírios etc. – destacando seu valor intrínseco aos olhos de Deus. Se Deus cuida zelosamente da natureza, nós, feitos à Sua imagem, somos chamados a espelhar esse cuidado, valorizando a biodiversidade como um reflexo da glória divina (Mateus 6.26-30).

Podemos entender, pelos ensinos de Jesus, que o amor ao próximo acaba tendo implicações ambientais (Marcos 12.31). Porque a degradação ambiental afeta desproporcionalmente os mais vulneráveis, de modo que cuidar da terra é uma forma concreta de amar o próximo, e assim, garantir às futuras gerações um ambiente saudável e produtivo para viver. Programas de saneamento ou lutas por justiça ambiental podem ser, de fato, expressões desse amor.

Cristo Jesus não é apenas o Criador, é também o Sustentador da Criação (Colossenses 1.16-17). Reconhecer que Cristo é o Sustentador ativo do universo nos leva à sabedoria de tratar a criação com reverência, assim como ao temor de que destruir a criação desonra Aquele que a sustenta. Atos como reciclagem ou escolhas de consumo consciente tornam-se expressões desse reconhecimento.

A Igreja, como corpo de Cristo na terra, tem a responsabilidade inerente de cuidar da criação, pois isso é uma extensão natural de sua missão fundamental de amar a Deus e ao próximo. Sua atuação na esfera ambiental, portanto, não é uma opção, mas uma manifestação tangível de sua fé e obediência ao Deus único e verdadeiro. Ao zelar pela terra, a Igreja honra o Criador, segue o exemplo de cuidado de Cristo e participa ativamente da redenção como agente de cura e restauração.

Abençoar as pessoas e cuidar do meio ambiente são duas faces da mesma moeda na expressão do ministério da Igreja de Cristo. Ao se posicionar firmemente em defesa da criação, a Igreja oferece um testemunho poderoso do Reino de Deus, onde a paz e o bem-estar integral se estendem a toda a criação, demonstrando as implicações do Evangelho em todas as áreas da vida.

A COP 30, para a fé cristã, é um chamado à ação. A Igreja, ao abraçar essa responsabilidade, não só honra a Cristo, mas se torna um agente transformador, abençoando as pessoas e o planeta, expressando o amor divino de forma prática e integral.

CADB

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Convenção da assembleia de Deus no Brasil

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