A escolha que faz toda a diferença

Todos nós fazemos escolhas morais, para o bem ou para o mal. Não são as boas intenções que definem as consequências, e sim os princípios que as motivam. Isso é ilustrado pela parábola da festa no “céu dos animais”, para a qual todos os animais foram convidados. O banquete estava fartíssimo, nenhum defeito no serviço. Até que começa a exalar um terrível mau cheiro. “O que houve?” – perguntavam todos. O Sapo abriu seu bocão e disse: “É o Abutre que está comendo uma carniça”. Assim, diante da gravidade da situação, uma comissão foi designada para falar com Abutre. “Honorável Abutre, por que, com tanta fartura de coisas boas, você teve a ousadia de trazer uma carniça para a festa?” – pergunta o Sr. Coruja, presidindo a comissão. Acabrunhado, Abutre respondeu: “Desculpem-me, companheiros, é a minha natureza!”

Esta parábola ilustra o aspecto essencial da nossa natureza pecaminosa. Fazemos o que fazemos porque somos o que somos. Por exemplo, um gato não é gato porque mia; ele mia porque é gato. Um cão não é cão porque late; ele late porque é cão. O abutre não é abutre porque come carniça; ele come carniça porque é abutre. Semelhantemente, o homem não é pecador porque peca; peca porque é pecador.

O ser humano não pode, por si só, mudar a sua natureza, como diz a Bíblia: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal?” (Jr 13.23).

Por que o ser humano é capaz de atos de extrema maldade, tais como como: matar, torturar, abusar sexualmente de crianças, engendrar atos terroristas, entre muitos outros? Por que crianças são abusadas sexualmente pelos próprios parentes ou por sacerdotes, os quais deveriam zelar pela integridade física, moral e espiritual delas? Por que uma mãe abandona uma criança recém-nascida? Por que matar crianças no ventre e achar que aborto é saúde pública? Por quê?

Se, como preconiza a teoria da evolução, somos “macacos evoluídos”, que tipo de evolução é essa que, a despeito de todo o crescimento dos mecanismos sociais de controle e desenvolvimento, anda na contramão da moralidade fundamental que todos nós sabemos no íntimo ser correta e necessária à paz social?

Por que então nos perturbarmos com a permissividade, a pornografia, os problemas na educação, o desmoronamento da família, o aborto, a criminalidade? Porque temos uma irrevogável responsabilidade para com o Deus que nos criou à Sua imagem e semelhança!

Além do aspecto da nossa natureza decaída, penso que há outras duas vertentes básicas que ajudam a explicar essa problemática, a saber:

(1) Primeiramente, as pessoas se acostumaram a ver o mundo em partículas, ao invés de vê-lo na totalidade. Isso decorre de uma mudança de cosmovisão, ou na maneira integral em como as pessoas veem o mundo e a vida. Houve um afastamento de uma visão de mundo, a qual era vagamente cristã, em direção a algo totalmente contrário, baseado na ideia de que não há absolutos e que a realidade final é matéria ou energia impessoal posta na atual forma pelo acaso igualmente impessoal.

Ora, se não há um Deus pessoal moralmente santo a quem possamos amar e a quem devamos prestar contas, o pecado – incluindo desvios de conduta ética e moral, violência, drogas, crimes etc. – é visto apenas como “doença” que deve ser tratada. Tudo fica resumido aos aspectos físico-químicos da existência.

(2) A segunda tem a ver com a condição básica de fazer escolhas morais, nos dois extremos da nossa capacidade de arbitrar, para o bem ou para o mal. Deus nos criou de forma que o arbítrio é a nossa maior bênção, mas também pode ser uma maldição. Deus nos deu, portanto, a liberdade de decidir como agiremos, mas sempre subordinados às Suas leis e princípios. Essa vantagem é a marca que nos diferencia dos animais, mas pode transformar-se em uma fonte de muita dor no mundo, quando as escolhas são egoístas e pecaminosas, inclusive das pessoas que se consideram boas e corretas.

De pequenos deslizes de conduta até crimes hediondos, há uma característica comum que subjaz à nossa própria vontade, chamada de pecado. Por isso, alguém pode nem mesmo compreender o seu próprio modo de agir, pois não faz o que prefere, e sim o que detesta (Rm 7.15). A solução para esse dilema está em Cristo. Só Ele pode mudar a nossa natureza pecaminosa numa nova, como está escrito: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.17).

Quando crer em Jesus, o pecador recebe perdão e salvação para uma nova vida. A partir daí, não é o fazer o bem que torna alguém bom. É o fato de ter uma nova natureza que o faz praticar as boas obras que glorificam a Deus (Mt 5.16). Assim, fazer o bem é o reflexo da escolha de vivermos em Cristo, por Ele e para Ele. Essa é a escolha que faz toda a diferença!

CADB

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Convenção da assembleia de Deus no Brasil

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