A clareza de propósito em qualquer empreendimento é fundamental. Há um dito popular que sublinha: “Quem não sabe para onde vai, qualquer caminho leva, e não chega nunca”. Isto quer dizer que o êxito de uma missão exige alvos claros e coerentes. Reavaliar objetivos e fazer balanços são essenciais para redirecionar esforços no cumprimento da missão.
Essa reavaliação ecoa a oração do salmista: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12). Contar dias tem a ver com a avaliação do caminho já percorrido, e a coragem de admitir erros, é essa que gera a sabedoria para uma vida útil e vitoriosa.
A Assembleia de Deus em Belém se dedica à sua missão bíblica: Adorar a Deus, Manter comunhão, Evangelizar, Discipular, e Vigiar e Orar. Estes pilares, vividos em plenitude, desdobram-se em um profundo compromisso com a tarefa de abençoar as pessoas com as quais convivemos e o cuidado da criação de Deus.
Na adoração a Deus, a Igreja precisa retomar a prática das orações fervorosas e espontâneas de todos os crentes, como Jesus ensinou. A oração como ministério coletivo revitaliza a adoração. Sem ela, a Igreja perde o frescor do Espírito, caindo no formalismo e na mesmice; e também membros opacos, que deveriam ser luzeiros, deixam de iluminar o caminho dos que vivem nas trevas do pecado.
Nossa comunhão, gerada na adoração, exige cuidado mútuo, especialmente com os menos favorecidos. O apoio aos que sofrem é o “bom cheiro de Cristo” que a tudo preenche. O desafio é amar indistintamente, instilando a dignidade de expressar empatia e compaixão. É nessa comunhão que somos chamados a abençoar as pessoas tangivelmente, suprindo necessidades e restaurando a esperança, seguindo o exemplo de Jesus, que veio para servir (Mc 10.45).
Adoração e comunhão culminam na evangelização. Devemos evangelizar, visitar e abençoar pessoas, como os primeiros discípulos. Cada crente é testemunha no seu viver diário, pois “melhor nos ouve quem mais nos conhece”. Muitos precisam da mensagem para serem salvos, não só por palavras, mas por atos de amor e serviço que abençoam suas vidas integralmente.
Integrados à Igreja, os salvos necessitam de discipulado. A alta taxa de evasão sugere que “a porta dos fundos das igrejas é mais larga que a da frente”. Um discipulado eficaz, porém, forma crentes firmes na fé e os capacita a serem agentes de transformação, comprometidos em abençoar o próximo e ser mordomos fiéis da Criação.
Preocupa-nos os crentes que agem como “sal do sal” e “luz da luz”, ou seja, sem influenciar fora dos templos. Nossa responsabilidade é ser “sal e luz” no mundo. Isso demanda uma fé manifesta em ações concretas que abençoam as pessoas e demonstram cuidado e respeito pelo meio ambiente onde vivemos.
O Deus que adoramos é o Criador, e nossa responsabilidade de “lavrar e guardar” a criação é parte do nosso testemunho (Sl 24.1; Gn 2.15). Assim, pois, a negligência com o cuidado das pessoas necessitadas e do nosso meio ambiente contradiz o Evangelho. Mas isso se corrige com compromisso da missão que o Senhor Jesus nos designou, em Adorar a Deus, Manter comunhão com os santos, Evangelizar os perdidos, Discipular os salvos, e manter uma vida de Vigilância e Oração, enquanto Deus confirma os nossos passos em demonstração do Espírito e de poder (1Co 2.4).
Todos os cristãos deveriam saber que a negação da mensagem pelas próprias ações gera uma reação de “blasfêmia do nome de Deus” (Rm 2.24). Incomoda-nos o fato de que não poucos vivam uma experiência de “fé na fé”, ou seja, colocar a sua fé em coisas, pessoas, métodos, obras, em vez de uma fé genuína na Palavra de Deus, em sabendo que Deus é Fiel para cumprir tudo o que disse. Uma fé autêntica impulsiona à compaixão e responsabilidade, buscando abençoar a humanidade e preservar a Criação como reflexo do caráter de Cristo.
Aprimorar nossos alvos torna o IDE de Jesus mais significativo. Apesar de nossas deficiências humanas, a Igreja é o lugar para pessoas quebradas e perdidas. Nesses encontros imperfeitos, a “multiforme graça de Deus” transforma vidas e, através delas, capacita a abençoar comunidades e a inspirar o cuidado com o lar que Deus nos deu.
Agradecemos a Deus pelos alvos alcançados, mas muito resta ainda a conquistar. Esta conquista não se restringe a templos ou corações individuais; ela se manifesta em um amor visível que abençoa todas as pessoas em suas necessidades mais profundas e em um compromisso inegociável com o cuidado e a preservação do meio ambiente. Este é parte integrante do Reino de Deus e nosso chamado à mordomia.
Se negligenciarmos esses fundamentos, perderemos o rumo. Então, perguntemos: Será que Jesus pode contar conosco para vivermos o Evangelho em abençoar as pessoas e cuidar do nosso planeta, a casa comum que Ele nos confiou? Esta é a expressão mais autêntica e impactante da missão da Igreja de Cristo hoje e sempre.