Há alguns anos, um dos maiores negociantes de ouro dos Estados Unidos publicou aos quatro cantos, através da grande mídia bem paga, um grande negócio em compra de ouro para pequenos investidores, especialmente trabalhadores. Ele alardeava ter guardadas em depósito num cofre de sua empresa, como garantia, barras de ouro no valor de 2 milhões de dólares. Denunciado e apanhado em flagrante por fraude, o promotor indicado para o caso obteve uma ordem judicial para abrir os cofres da companhia e confirmar a veracidade ou não da acusação. Quando o cofre foi aberto, estava aparentemente cheio de barras de ouro. Entretanto, uma inspeção mais detalhada revelou que só havia ali algumas dezenas de barras de madeira pintadas de dourado.
Muitos investidores inocentes perderam grande soma de dinheiro, quando ficou provado que uma alardeada afirmação midiática tida como verdade, mas não checada, depois ficou comprovado, era de fato uma grande mentira.
Bem, isto aconteceu no mundo dos negócios. Mas todo santo dia acontece nas mais variadas áreas da vida. As pessoas mentem sem nenhuma cerimônia, desde que isso lhes dê alguma vantagem. Tem sido assim nas redes sociais, nas relações familiares, nas conversas de boteco, na grande mídia. Os meios são apenas isso: meios. As pessoas por trás dos meios, com suas intenções tortuosas e finalidades egoístas, é que são o problema. E isso causa grandes males, a pessoas e a países inteiros (como o Brasil), quando a guerra de narrativas busca tudo, menos a verdade, especialmente quando carece de uma motivação justa.
Assim, eu e você devemos tomar cuidado com o que assistimos. Cada pessoa precisa perguntar a si própria – e procurar responder com sinceridade – se a sua casa é local de assassinatos diários ou de outros tipos de males trazidos pelos meios de comunicação. Cada pessoa deve verificar se recebe costumeiramente “convidados” que a xingam e fazem piadas sobre a sua fé.
Porventura, já aconteceu de alguém aparecer na sua casa e tentar convencê-lo de que o pecado sexual é uma piada, que traição é algo normal, que ideologia de gênero é aceitável, que parcerias sexuais entre pessoas do mesmo sexo é bíblico e normal, e que a violência produzida como entretenimento é uma forma de lazer? Bem, se alguém passa algumas horas por dia diante da televisão, ou navegando na redes sociais, ou assistindo a vídeos “impuros” na internet, ou dando crédito a mentiras, então certamente isso já lhe aconteceu.
Embora não seja nenhuma novidade, o conteúdo moral do cinema, da televisão, e especialmente da internet, tem decaído constante e rapidamente nos últimos anos. A boa notícia é que nós não temos que cair junto, nem consumir ou mesmo nos deixar influenciar por toda essa sujeira lançada por esgotos tecnológicos movidos a ideologias malignas. Mas que isso causa influência sobre almas energúmenas em todo lugar, isso é inquestionável!
Todavia, tal coisa não é um fenômeno novo. O mundo tem sido bombardeado por todo tipo de dejetos morais há mais tempo do que a maioria de nós percebe.
Na França, foi publicada uma estatística sobre os assuntos que serviram de temas para os filmes distribuídos pelas empresas americanas em um ano, chegando-se aos seguintes números: 310 assassinatos; 104 roubos à mão armada; 74 delitos de chantagem; 43 incêndios voluntários; 14 delitos por trapaças; 642 casos de furtos; 182 casos de falso testemunho; 54 desvios de menores; 192 casos de adultérios femininos; 213 casos de adultérios masculinos. Essa “escola profissional” de mentiras, crimes e imoralidades produzidas em Hollywood refere-se a uma pesquisa realizada quando a maioria dos meus atuais leitores (nem eu) tinha nascido ainda, no longínquo ano de 1936. Depois disso, obviamente, a coisa piorou assustadoramente!
Um dado importante é que os nascidos a partir dessa época, havendo sido expostos rotineiramente a esse tipo danoso de entretenimento malicioso, certamente foram os jovens que protagonizaram as muitas “revoluções sociais” de comportamento (para pior) que o mundo enfrentou a partir dos anos de 1960, inclusive a famigerada “revolução sexual” que lançou nossos jovens no lamaçal movediço de muitas doenças sexualmente transmissíveis e, por fim, à destruição e morte precoce.
O Brasil de hoje é fruto de uma época de relativização moral. Daqui a alguns anos, o que será da geração que atualmente está sendo exposta a tanto dejeto moral sem nenhum senso crítico? Só Deus sabe ao certo, mas é previsível que boa coisa não será.
Sendo assim, devemos fugir de maledicências, não nos permitir ouvir ou falar linguagem vulgar (Ef 4.29). Evitemos que nossos ouvidos ouçam indignidades e nossos olhos assistam coisas que têm o potencial de nos fazer pecar ou nos diminuam aos olhos de Deus. E ninguém passe adiante nenhum “fato” que não seja moralmente adequado nem verdadeiro.
Tomemos cuidado com o que assistimos! Mas, acima de tudo, procuremos honrar a Deus com o que assistimos. Precisamos nos apegar à Palavra de Deus, lendo-a e meditando nela, ouvindo a voz do Espírito Santo. E deixemos Deus nos ensinar a sermos uma verdadeira bênção no mundo, para a glória de Cristo!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém