Cerca de 85% da população do Brasil se declara como sendo de fé cristã, entre católicos, evangélicos e outros grupos menores; ou seja, essa multidão corresponde a pessoas que se declaram como seguidores de Jesus Cristo. E eu estou bem certo de que Deus deseja ardentemente manter um relacionamento de intimidade com cada um desses, entre os quais eu me incluo. Por isso é necessário que saibamos o que Jesus disse sobre essa caminhada, como começa e como se mantém.
Jesus ensinou que Deus requer entrega total! Deus não aceita meio termo, não se satisfaz com porções, não se contenta com as nossas sobras, quer de tempo ou de recursos, como geralmente aponta o caminho da religiosidade humana. Na verdade, para Deus, é “tudo ou nada”. Ele não nos dá o Seu Espírito por medida, ou seja, se entrega totalmente, de modo que a entrega total é a única contrapartida no relacionamento que deseja ter conosco (Jo 3.34).
Isso ficou bem explicitado quando, certa feita, um dos escribas dos fariseus perguntou a Jesus: “Qual é o principal de todos os mandamentos?”. A resposta de Jesus não deixou qualquer dúvida: “O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12.28-30).
Isso quer dizer simplesmente que a natureza de nossa dedicação tem de partir de uma entrega total e absoluta de todo o nosso ser, com todo o nosso esforço consciente, na plenitude da razão e do compromisso de quem, por assim dizer, “queimou todas as pontes” porque não cogita jamais em retornar a qualquer padrão inferior ou menos exigente do caráter cristão.
O que Jesus disse diferia totalmente do que os religiosos de sua época pregavam. Para Jesus não bastava dar coisas para Deus, quer fosse a sobra dos ricos ofertada sob o rufar de tambores e o tinir de clarins, ou a devoção religiosa estereotipada numa liturgia espalhafatosa para ser louvada pelos transeuntes admirados, tampouco os holocaustos oferecidos num culto onde os adoradores tinham a boca cheia de louvores, mas o seu coração se achava longe de Deus (Mc 7.6).
E por que Deus quer que o amemos com a totalidade do nosso ser? Deus mesmo respondera à nação israelita que se achava desamparada: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13). É simples: Deus quer que o achemos em todas as coisas e eventos da nossa vida. E se cada cristão se entregar totalmente a Ele, certamente terá o Seu Espírito Santo “sem medida”.
Em outras palavras, se amarmos a Deus com a plenitude do nosso ser e esforço, também teremos da parte de Deus a plenitude do Seu amor e bondade, bem como a vida eterna. Isto por que Deus quer manter um relacionamento pleno conosco, não um mero exercício de religiosidade baseado em tarefas. Deus deseja ser nosso amigo, não nosso patrão. Deus espera que andemos com Ele em novidade de vida, não que o visitemos num dia de culto porque estamos quebrados. Deus anseia por nos abençoar, não em responder às nossas elaboradas barganhas religiosas. Deus quer ser nosso Pai, não nosso padrasto; porquanto, aguarda que confiemos Nele como nosso tudo, como socorro e apoio para todos os momentos, não como um utilitário divino para quando estamos atribulados ou colhendo os frutos amargos de nossas escolhas egoístas.
Há muitos cristãos sinceros que vivem esse padrão positivo de espiritualidade. Graças a Deus por isso! Mas há outros tantos que, a despeito de tudo que ouvem e aprendem, continuam indo aos templos simplesmente por pensarem que, cultuando a Deus do seu jeito, podem continuar a manter sua dedicação de meio termo intocada, enquanto esperam, em troca, que Deus os abençoe e os faça prosperar em tudo.
Todavia, nessa sua entrega parcial, acabam não tendo nenhum desejo de manter intimidade com o Senhor. Querem que o Pai celestial responda às suas orações, mas não desejam relacionamento com Ele. Não buscam a Sua face, não desejam ardentemente a Sua proximidade, não anseiam por Sua comunhão; simplesmente não têm vontade de permanecer de cumprir Seus mandamentos e viver com integridade em Sua presença, muito menos se dispõem a amá-lo de todos o coração.
A essência do Evangelho do Reino que Jesus Cristo pregava é que “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Isto é a súmula de toda a revelação bíblica, estabelecida no fato de que Deus deseja manter um relacionamento de intimidade com todos os Seus filhos; e que isso não pode ocorrer, de modo algum, sem o amor que se entrega “de todo o coração, de toda a alma, de toda a força e de todo o entendimento”.
Portanto, a exigência de Deus é que cada cristão se entregue totalmente a Ele, e assim, receba a plenitude de Seu amor e a vida eterna. E eu desejo sinceramente que cada cristão consiga discernir e viver plenamente essa graça. Seja você um destes!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém