“Ninguém me entende!” – é a expressão que demonstra a frustração de uma alma que clama por atenção e carinho. Nessas horas de solidão, não importam as palavras ditas para nos consolar, a sensação restante é que ninguém sabe o quanto estamos machucados por dentro, que ninguém conhece a causa da nossa dor ou como realmente nos sentimos. E quando temos esse sentimento, o que no fundo ansiamos é que alguém, em algum lugar, nos compreenda perfeitamente e nos aceite sem restrições, nos olhe sem julgamentos e nos receba sem fingimentos.
Anelamos por encontrar uma pessoa que saiba exatamente como nos sentimos e que jamais venha a nos abandonar nos momentos difíceis que enfrentamos. Pode parecer uma utopia sentimentalista, ou mesmo um escapismo emocional, mas será que essa pessoa existe?!
Será que existe alguém que possa entender o motivo de tamanha confusão nos relacionamentos interpessoais? Existe alguém que possa compreender o que significa conviver com as muitas insatisfações, frustrações e pressões do dia a dia? Existe alguém que entenda de rejeição, dor e sofrimento?
Existe alguém que compreenda o que significa carregar consigo a dor incomunicável de ter sofrido abuso? Existe alguém que saiba o que é lutar contra sentimentos autodestruidores de carregar uma autoimagem negativa que lhe puxa para baixo?
A boa notícia é que essa pessoa existe. Seu nome é Jesus Cristo!
Jesus entende de relacionamentos. Ele nasceu e cresceu como qualquer um de nós e, portanto, sabia o que era ser um bebê, uma criança, um adolescente e um adulto. Ele tinha uma família, e sabia o que era conviver com pai e mãe, irmãos e irmãs. Sabia o que era ter amigos íntimos, entre os quais Pedro Tiago e João; também Marta, Maria e Lázaro. Teve, inclusive, de enfrentar a dor da traição de um “amigo”, Judas. Jesus sabia o que era ter inimigos também.
Jesus entende de pressões no trabalho. A profissão na qual Jesus passou a maior parte de sua vida não foi de mestre ou pregador, e sim de carpinteiro. Jesus passou mais tempo na carpintaria que no templo. Naquela época, o carpinteiro era um verdadeiro construtor, o que exigia talento e qualificação especializada. Jesus sofreu na pele o cansaço estafante de um dia inteiro de trabalho e sabia o que era ter calos nas mãos. Ele conhecia a frustração provocada pelo mau tempo, pelas ferramentas quebradas, pelo não pagamento de serviços prestados. Jesus também teve de lutar contra a monotonia e o tédio de ter que executar serviços repetitivos.
Uma coisa que podemos dizer sobre Jesus, sem medo de errar, é que ele realmente entende de sofrimento.
O profeta Isaías predisse o que facilmente poderia ser colocado na biografia de Jesus como capítulo de dores e rejeições: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.3-7).
Logo no início de Seu ministério público, Jesus experimentou preconceito e desprezo público, pois ninguém achava que poderia vir alguma coisa boa de Nazaré. “Não é esse o carpinteiro?” – perguntavam zombeteiramente outros. Afinal, eles achavam que o Messias jamais viria de uma família de trabalhadores, tampouco de uma cidade insignificante.
Jesus também enfrentou a rejeição das autoridades que o perseguiram. Até mesmo seus irmãos não acreditavam nele. Judas o vendeu pelo preço de um escravo. E os outros discípulos, seus amigos, o abandonaram no momento de sua maior necessidade.
Jesus sofreu uma enorme dor física. Foi esmurrado, esbofeteado, açoitado, torturado, e lhe puseram uma coroa de espinhos. Foi pregado na cruz. Derramou o seu sangue inocente. Morreu pelos nossos pecados. Isso definiu a profecia de que Jesus “sabe o que é padecer”.
Desse modo, se você acha que ninguém sabe o que você está a passar, que ninguém se importa, que ninguém entende a sua dor, então saiba que Jesus entende.
Se você se sente incompreendido no trabalho, ou no seu lar; se sente tédio e frustração, saiba: Jesus entende você! Ele sabe o que significa conviver com as muitas insatisfações que acompanham a labuta diária.
Se você pensava: “Ninguém me entende”, a partir de agora pode dizer sem receio: “Ninguém me entende como Jesus”.
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém