Em um mundo marcado por sofrimento e dor, perdas e lágrimas, tragédias e males, duas questões ficam sempre patentes. A primeira questão trata da esperança, e consiste numa dúvida existencial: se tenho de viver diante da incerteza quanto ao futuro, o que posso esperar da vida?
Normalmente, a abordagem mais geral e simplista é a de que o mundo vai de mal a pior, portanto, muitos ficam com a nítida impressão de não haver nenhuma esperança à vista. Mas isto, além de gerar desespero nas pessoas, aponta para uma outra realidade, o desconhecimento (ou descrença) do que Deus afirma na Bíblia sobre a esperança futura.
A segunda questão tem a ver com um paradoxo: se Deus é tão bom e poderoso, por que permite que haja tantos males e sofrimentos no mundo?
Para alguns, Deus poderia simplesmente acabar com o mal, se Ele quisesse. Essa abordagerm simplista ignora que quando Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, deu-lhe também o domínio sobre toda a Terra e seus recursos (Gn 1.26); e isso, certamente, incluiu a liberdade de fazer escolhas morais e éticas
Essa capacidade de decidir ou arbítrio é essencialmente uma bênção, mas acabou tornando-se uma maldição, por causa da escolha de desobedecer a Deus que o homem tomou. Foi dada para gerar vida, mas acabou trazendo a morte. Isto porque as decisões que tomamos nos tornam responsáveis pelas próprias escolhas que fazemos.
Deus poderia ter-nos criado de modo diferente, seres sem vontade própria, marionetes comandados pelos cordéis divinos, robôs programados para executarem determinadas funções, entes cuja existência alienada eliminaria os conceitos de obediência e amor. Se Deus simplesmente removesse a nossa habilidade de escolher, o mal desapareceria. Mas também não seríamos pessoas e não mais poderíamos optar entre amar a Deus e obedecê-lo, ou não. E o amor sempre exigirá uma decisão.
No entanto, Deus não deseja que tenhamos uma vida marionetizada por comandos. Ele deseja ser amado e obedecido por criaturas que escolham voluntariamente fazê-lo, pois o amor jamais será genuíno se não existe a opção de não amar. Se Deus tirasse dos maus a capacidade de fazer o mal, ele deveria igualmente tirar dos bons a capacidade de fazer o bem. Mas Deus deseja que eu e você olhemos para a fealdade do mundo e possamos dizer que a nossa opção continua sendo a de fazer o bem, não porque somos forçados, mas porque amamos a Deus e queremos fazer a Sua vontade.
Sempre que ocorrem tragédias é muito comum ouvirmos pessoas buscarem consolo na afirmação simplista de que “aquilo” foi “a vontade de Deus”. Mas isto está longe da verdade! Nós vivemos num mundo de arbítrios humanos, no qual a vontade de Deus raramente é realizada, pois muitos desejam a qualquer preço realizar suas próprias vontades egoístas.
Por que crianças morrem de fome? Por que são gastos bilhões de dólares em armamentos? Por que as guerras exterminam civis inocentes? Por que há ódios e rancores entre povos e nações? Por que assassinam milhares de jovens num protesto? Quem poderia, em sã consciência, dizer que “isso” seria a vontade de Deus?
Não culpe Deus pelos males do mundo, quando muitíssimos ignoram a perfeita vontade de Deus. Jesus ensinou que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos,, amar os inimigos, não gostar deles. Gostar é sentimento, empatia. Amar é altruísmo, compaixão. O amor fazendo a todosninguém mereça. Foi o que Jesus fez.
Deus nos criou e sabe como funcionamos. A Bíblia, o “Manual do Fabricante”, nos indica o caminho da vida plena. Mas Deus jamais nos obrigará a obedecê-lo; a decisão é nossa. Imagine que alguém compre um eletrodoméstico e faça tudo diferente da orientação do manual. Haveria alguma possibilidade de requerer a aplicação de sua garantia?
Deus diz: “Tenho te proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois a vida, para que vivas” (Dt 30.19). Precisamos fazer a vontade de Deus. Mas o único lugar onde a vontade de Deus é realizada perfeitamente é no Céu. Esta é a razão de não haver ali lágrimas, dor, mal. A Terra, porém, é um lugar imperfeito por causa do pecado e das nossas escolhas egoístas. A vida plena resulta da decisão de fazer a vontade de Deus. Isto não é automático, depende dessa escolha diária e da ajuda de Deus, quando oramos: “Seja feita a tua vontade assim na Terra como no Céu”.
A Bíblia diz que este mundo com todas as suas mazelas passará, que haverá “novo Céu e nova Terra” e que “Deus habitará conosco” num mundo de justiça e paz. Nessa nova ordem, Deus “enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21.4). Assim, a última palavra sobre o destino deste mundo pertence a Deus, cujo poder restaurará todas as coisas ao estado original de harmonia e paz. E aqueles que receberam Jesus como Senhor e Salvador são os que têm o privilégio dessa bendita esperança.
Deus está pronto a dar Sua eterna esperança. Quem está pronto para recebê-la?
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém