Nossa firme Esperança

O que fazer quando a esperança se esvai? Esta é a indagação básica de muitas almas aflitas e esgotadas, principalmente após os excessos dos prazeres pecaminosos apresentarem os “Boletos Emocionais” de suas cobranças impagáveis. Foi o que aconteceu com um desalentado homem, o qual, na busca de saciar sua alma faminta por sentido, buscou todos os tipos de prazeres, acabando por sentir-se cansado e exaurido, sem nenhuma esperança. Ele, por fim, resolveu jogar-se do alto de uma torre e dar cabo da própria vida. Contudo, ao passar por uma praça, parou para observar uma exposição de quadros de pintores célebres.

A atenção daquele homem foi providencialmente despertada para o famoso quadro do pintor Watt, denominado “A esperança”, que mostrava uma jovem com os olhos vendados sentada numa esfera escura, que representava o universo, a dedilhar uma harpa que continha apenas uma corda inteira, ou seja, “um fio de esperança”; as demais tinham arrebentado. Tal observação foi suficiente para que ele refletisse que havia um Deus no céu, e ainda, restava-lhe um lar, a esposa e um inocente filhinho por quem lutar. Mudando de ideia e com um novo ânimo de viver, sentia que agora tinha o seu fio de esperança.

Isso ilustra que toda pessoa precisa de esperança, mesmo que seja “um fio”, senão entra fatalmente numa espiral de depressão e desespero. Principalmente num mundo marcado por encantos fúteis e desencantos escarnecedores, a esperança é um artigo não somente valioso, mas também imprescindível.

Há desencantos de toda ordem na vida. Desencanto com a economia, principalmente quando os preços disparam e corroem os salários. Desencanto com as artes, que em geral beiram a fronteira da loucura e se inspiram na fonte da futilidade. Desencanto com o mau uso da ciência médica, quando é transformada em fonte de lucro e não em potencial de cura. Desencanto com as lideranças, principalmente a política, com suas infindáveis e não cumpridas promessas. Desencanto com a religião, quando não oferece respostas e, em vez disso, aprisiona mentes e corações. Enfim, sobra o desencanto com a própria vida, pela inexistência de toda a esperança.

Há pessoas com problemas antigos, alguns peculiarmente difíceis; outros têm sido enganados no tocante aos seus verdadeiros problemas, gastando a poupança de uma vida toda e, em troca, recebendo apenas paliativos. Alguns tiveram a esperança repetidamente despedaçada, vivendo assaltados pelo medo; porque tentaram e falharam, vivem deprimidos e derrotados. Outros desistiram de tentar, acalentando tendências suicidas, pois sofreram experiências abaladoras e deixaram de crer na possibilidade da esperança.

Mas de que esperança precisamos e o que devemos fazer para obtê-la? Ou será que existe uma verdadeira esperança, algo no qual possamos colocar a nossa confiança?

A esperança de que precisamos tem que abranger uma dimensão que não somente aponte soluções para o futuro, mas também apresente respostas à vida presente. Por isso ela não deve encerrar o sentido de incerteza que se aderiu ao nosso vocábulo português, quando dizemos cautelosamente: “Espero que assim seja”.

Esperança, no conceito bíblico, não tem esse sentido, pois, ao contrário, sempre significa uma expectação confiante. Quando Paulo escreveu a Tito acerca da “bendita esperança” do evangelho, por exemplo, ele o exortava a que dirigisse o olhar para adiante, para a “feliz expectativa” da “manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13). Assim, o apóstolo não embalava a menor ideia de incerteza no tocante a esse fato, mas falava com absoluta convicção do poder de Jesus de mudar a nossa vida, perdoar os nossos pecados e nos fazer participantes dessa mesma esperança.

O evangelho exibe uma dupla esperança: no futuro, vinculado ao retorno de Cristo, à ressurreição do corpo e ao aniquilamento do pecado, da dor e de todos os outros tipos de males do mundo. Isso inclui a esperança da perfeição final por causa da presença gloriosa de Cristo. Mas não promete que só participaremos do “bolo” quando esse tempo chegar; na verdade, podemos começar a “cortar as fatias” aqui e agora. Isto porque há a esperança de uma vida nova e abundante, agora mesmo, como disse Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10.10).

Essa vida plena é metaforizada na imagem de uma fonte jorrando eternamente: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). Quem quiser saciar sua sede de sentido na vida jamais o conseguirá em beber das águas barrentas dos pecaminosos prazeres carnais.

Porém, para quem deseja a solução da firme esperança, ela está em Jesus Cristo, o qual, por amor a pecadores como eu e você, morreu e ressuscitou para nos dar, aqui e agora, a verdadeira alegria e a firme esperança da vida eterna. Anunciemos, pois, essa firme esperança em Jesus a todas as pessoas!

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

CADB

CADB

Convenção da assembleia de Deus no Brasil

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