A COP 30 pode ser criticada sob vários aspectos, mas, para Belém, significa um catalisador que trouxe novos desafios e horizontes. A cidade precisa agora, em seus 410 anos, transformar isso em um novo caminho de renovação, com resiliência e sem medo do futuro, buscando o propósito de um futuro sustentável, onde a busca incessante por sua identidade social culmine em um encontro com sua verdadeira essência e grandeza.
Em meio ao constante bombardeio de notícias negativas, que frequentemente pintam um cenário de desesperança e desconfiança, somos tentados a acreditar que a cidade está em ruínas morais. A “minoria fora-da-lei”, seja ela composta por corruptos, exploradores ou promotores de desunião, tenta minar a fé coletiva. No entanto, a alma de Belém não é definida por esses elementos destrutivos. Ela reside no “compasso dos bons”, na virtude de uma maioria silenciosa que, com trabalho e fé, persiste em construir um futuro digno. Agora, essa maioria é convocada a ser ainda mais proativa, demonstrando que a paz e a prosperidade são frutos da integridade e da solidariedade, tudo sob a bênção de Deus.
A fundação de Belém, em 1616, por Francisco Caldeira Castelo Branco, cujo nome foi dado em homenagem à Belém da Judeia (conforme a tradição), conferiu-lhe a vocação primordial de ser uma fortaleza. Essa vocação, agora, adquire novas e cruciais dimensões, pois Belém tem o desafio de erguer-se como uma fortaleza inabalável contra todas as formas de mal que a afligem: a injustiça social, o preconceito arraigado, a violência, a impunidade, a corrupção que desvia recursos vitais à sociedade e, de forma premente, contra a malignidade da exploração ambiental irresponsável.
Contudo, essa fortaleza não pode ser meramente defensiva. Belém é chamada a agir como um farol a favor da vida em sua plenitude: da verdade que liberta, da justiça que promove a equidade, do amor que transcende barreiras, do respeito pelas diferenças que enriquece o convívio, do cuidado compassivo pelos pobres, da dignidade intrínseca a cada ser humano, da honra da lei e da ordem que sustentam a sociedade, bem como do inalienável direito à liberdade.
A nossa Belém da Amazônia pode ser, com a ajuda de Deus, um santuário de esperança e laboratório de soluções, conciliando desenvolvimento, preservação ambiental e justiça social. Sim, Belém tem jeito! Contudo, essa transformação depende de seu povo “pensar direito”, guiado não apenas por acordos, mas por uma visão que transcende o imediatismo e se ancore em princípios eternos.
A verdadeira grandeza de uma cidade é tradicionalmente associada a monumentos, feitos militares, pujança econômica ou artística. Contudo, a experiência da História, paradoxalmente, reforça a verdade fundamental da transitoriedade de tudo que é material. Edificações, conquistas e infraestruturas, por mais grandiosas que pareçam, podem ser efêmeras, sucumbindo a cataclismos naturais ou sociais. A história é repleta de exemplos de cidades que foram grandes e perderam o seu esplendor. Assim, somos compelidos a desviar o foco de coisas para as pessoas, reconhecendo que a verdadeira solidez de uma metrópole reside na essência ou caráter de sua comunidade.
Essa mudança de perspectiva, porém, enfrenta um desafio perene: a dificuldade em aferir o valor humano. Ao longo da história, o mérito foi atrelado a títulos de nobreza, posses ou posição social. Hoje, embora as métricas tenham evoluído, ainda observamos a persistência de critérios superficiais como fama, prestígio e riqueza, que frequentemente excluem a maioria e obscurecem o que é essencial. O evangelista Billy Graham sabiamente afirmou que “a verdadeira grandeza deve ser medida pelo caráter interior da pessoa, ou seja, seus valores espirituais e princípios morais”. Para Belém, principalmente pós-COP 30, essa máxima é crucial. A projeção internacional exige que seu caráter coletivo seja um testemunho de integridade e moralidade, vistas agora pelo mundo todo.
A questão da valorização da vida, individual e coletiva, reside no modo como a cultivamos, acumulando valores morais e espirituais que moldam a largueza de alma. A máxima do Barão de Itararé – “Da vida só se leva a vida que se levou” – ecoa para que Belém avalie não só os recentes ganhos materiais, mas a constância de seu progresso em termos morais e espirituais.
O poeta Fernando Sabino oferece uma singular inspiração para este momento de redefinição: “De tudo, ficaram três coisas: A certeza de que estamos sempre começando. A certeza de que é preciso continuar. E a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Fazer da interrupção um novo caminho; fazer da queda um passo de dança; do medo, uma escada; do sonho, uma ponte; e da procura, um encontro.”
Sabendo nós que agora é tempo de anunciar Jesus a todas as pessoas, oramos para que Deus nos inspire e ajude na construção de nossa Belém da Amazônia que reflita os princípios do Reino de Deus, onde justiça e paz se encontrem, e o futuro se edifique sobre os pilares de fé, esperança e amor, irradiando paz e prosperidade duradouras para benefício de todos os seus cidadãos.
Feliz Belém! Feliz-cidade! Parabéns pelos seus 410 anos!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém