Em pleno Século 21, Deus ainda chama e envia Seus servos para realizarem obras especiais. Isto ocorre como Deus revelou: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá” (Sl 101.6). Essa é uma verdade que pode ser facilmente demonstrada em toda a História, especialmente pelos muitos exemplos de vidas abnegadas e fiéis ao Senhor, os quais, enfrentando as circunstâncias de seu próprio tempo, têm cumprido cabalmente o seu chamamento.
Mas, infelizmente, na contramão desses exemplos, há aqueles que falharam, ou porque não foram fiéis ou por terem desistido no meio do caminho. De modo geral, cada pessoa chamada e enviada por Deus teve de lidar com algumas questões difíceis, do mesmo modo que temos de fazer hoje em dia.
Uma vez enviado por Deus, como você esperaria ser tratado? Tal como um diplomata na entrega de suas credenciais? Ou como alguém importante com um chamado do Céu, reconhecido e honrado por todos? Como você esperaria se sentir? Alguém importante e confiante, sabendo exatamente para onde está indo e o que deve fazer? Como um “engenheiro” de Deus em posse de uma planta exata do projeto a ser executado?
O que poucos se dão conta, num primeiro momento, é que nossos primeiros passos no serviço de Deus, mesmo imbuídos da certeza da chamada, poderão ser o fim de nossas esperanças e sonhos, não o começo. Isto porque os começos de Deus para os Seus servos geralmente em nada se parecem com os fins que Ele tem em mente.
Isto está de acordo com o que afirma o próprio Senhor: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.8-9).
Pensamentos são planos e caminhos são processos, os quais, levados a efeito por Deus, se cumprem cabalmente seu tempo e modo. Jó reconhece bem isto em dizer: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2).
Quando os planos de Deus parecem impossíveis de serem compreendidos, num primeiro momento, os exemplos históricos de vários servos do Senhor servem de grande consolo. O que dizer de José, o qual, traído pelos próprios irmãos, vendido como escravo, preso injustamente, foi guindado da posição infeliz de prisioneiro à posição de Governador do Egito? Sobre isto, o salmista afirmou: “Adiante deles enviou um homem, José, vendido como escravo; cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros, até cumprir-se a profecia a respeito dele, e tê-lo provado a palavra do Senhor” (Sl 105.17-19).
O apóstolo Paulo, quando chamado, jamais poderia imaginar as grandezas das revelações com que seria contemplado. Ele começou com descrédito da própria Igreja que antes perseguira, bem como rejeitado e perseguido pelos antigos amigos fariseus. Além disso, o Senhor Jesus lhe falara que a grandeza do seu chamamento causaria sofrimento: “Pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9.16). O que começou em aparente perda foi dando certo, mas tudo lhe foi mostrado passo a passo, nunca de uma só vez. Deus mostra o fim, com uma palavra ou visão; mas o processo Ele conduz segundo a Sua soberana vontade.
Tito, enviado a Creta, reclamava-se da indolência e insinceridade beligerante dos cretenses. Estava isolado, sozinho, sem uma equipe bem treinada, em muitas desvantagens e perigos. Mas Paulo lhe fez saber o sentido de seu chamamento: “Por esta causa, te deixei em Creta” (Tt 1.5). Tito precisava entender que eram exatamente aqueles motivos desafiadores a razão de ele ser enviado aos cretenses. Ele não dispunha de toda a planta do projeto, só tinha de ser fiel e seguir ao Senhor passo a passo.
Destes e de outros exemplos, podemos entender que ser enviado por Deus poderá começar com perdas, não com ganhos: perda de emprego e de reputação, em vez de abundância e reconhecimentos; perda de apoio de parentes e amigos, em vez de suporte. Poderá também envolver o enfrentamento de injustiças: ser penalizado, mesmo tendo sido honesto e se recusado a ceder; ser banido pelos próprios irmãos e amigos, mesmo tendo sido fiel a todos; receber a imputação de crimes, embora não os tendo cometido.
Ser chamado e enviado por Deus pode doer tanto quanto os grilhões de José na prisão; ou como os desprezos e perseguições sofridos por Paulo; ou como as incertezas de Tito. Doeu também em Jesus, que realizou a maior de todas as missões.
Deus lhe deu um começo difícil? Não desista! Antes, peça-lhe forças para ir até o fim com humildade, sinceridade de coração e fidelidade ao seu chamamento. Em sabendo que agora é o tempo de anunciar Jesus a todas as pessoas, tenha em mente que Deus é Fiel e Poderoso para fazê-lo cumprir cabalmente o propósito de anunciar as Boas Novas do Reino. Amém!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém