Uma boa chegada na corrida da vida

A maioria das pessoas provavelmente nunca ouviu falar de Esopo, escritor e pai da fábula como gênero literário que viveu na Grécia Antiga (Séc. IV a.C.); todavia, quase todo mundo, certamente, já ouviu a fábula que narra a corrida entre a Lebre e a Tartaruga na floresta. Conta a fábula que a Lebre se gabava de ser o animal mais rápido da floresta. Quando desafiou todos os animais a uma corrida a fim de provar isso, para surpresa geral, apenas a Tartaruga atreveu-se a aceitar.

Parecia uma competição injusta, e era; mas ninguém objetou, embora sabendo que a Lebre facilmente ganharia. Mesmo assim, a corrida começou, e a Tartaruga logo foi deixada para trás, numa sensacional largada da Lebre. Achando-se bem distante, a Lebre decidiu dar uma paradinha para descansar e tirar uma soneca, mas a Tartaruga continuou consistente e esforçadamente. Ao acordar, a Lebre não conseguia ver a Tartaruga em lugar nenhum; então, pensou satisfeita: “Ela ainda não me alcançou”. Mas quando se dirigiu correndo ao ponto de chegada, já na reta final, viu a Tartaruga cruzando a linha. Vagarosa e decididamente, a Tartaruga havia ganhado a corrida da sua vida!

Essa conhecida fábula nos ensina a preciosa lição de que uma boa largada não é o suficiente. É preciso continuar com consistência, não descuidar por negligência, além de ter coroado todos os esforços com uma boa chegada. Esse conceito é muito bem compreendido pelos maratonistas. Eles sabem que se ganha ou uma corrida na consistência perseverante que leva às últimas passadas.

Como aquela Lebre autoconfiante, mas ingênua, algumas pessoas são “ligeirinhas” em começarem uma nova jornada ou desafio em suas vidas (negócios, carreiras, estudos, exercícios físicos, corridas, academia etc.), mas por serem volúveis ou inconstantes ou superficiais, acabam desistindo no meio do caminho. Desse modo, suas vidas se tornam cheias de começos e paradas; e por serem bem ativas, geralmente correm muito, sem jamais chegarem a lugar algum, até que, envergonhadas, acabam desistindo.

Algumas pessoas sedentárias passam anos sem se exercitarem, mas quando decidem fazê-lo, querem entrar em forma em uma semana. Logo no primeiro dia elas pensam que podem ir um pouco mais longe, carregar mais peso, correr mais rápido, enfim, porque na hora só sentem a autoconfiança de que podem. Mas no dia seguinte acordam tão entrevadas, com o corpo todo dolorido, que acabam desistindo.

Há quem queria começar uma nova carreira ou novo negócio, mas parte sem considerar que isso exige aprendizado contínuo, adaptação a novos modelos de trabalho e autoconhecimento para definir a sua trilha ao sucesso.

Em contrapartida, há uma outra lição que esta fábula ensina, que consiste no seguinte: é preferível e mais sensato manter um curso mais devagar e consistente, e assim, chegar ao lugar almejado. É esse aprendizado que nos leva ao verdadeiro crescimento e às conquistas como experiências graduais na vida, sem atropelar os processos nem ser atropelado por eles.

Houve um homem em Israel que teve um começo maravilhoso, pois se tornou rei aos 16 anos. Seu nome era Uzias. Ele deu a largada com uma grande fé em Deus e, por meio dela, restaurou a honra e a glória de seu país. Infelizmente, em vez de manter o curso, tornou-se orgulhoso e passou a acreditar que as leis não se aplicavam mais a ele, que se colocou “intocável” acima delas. Como resultado, Uzias entrou no Templo para queimar incenso – privilégio esse reservado por lei unicamente aos sacerdotes. Embora confrontado por causa de seu pecado, ele se recusou arrogantemente a ouvir os avisos, até que lhe apareceu uma lepra na testa. Este era, finalmente, um modo duro de a própria Lei que desprezara chamar a sua atenção e indicar-lhe que ele havia tropeçado antes de cruzar a linha de chegada.

Não são poucos os homens e mulheres que um dia andaram humildemente com Deus, mas tornaram-se presunçosos e, por causa de um orgulho tolo, se afastaram Dele para seguirem seu próprio caminho. Ao persistirem na desobediência e se recusarem a ouvir a voz de Deus (ou mesmo os avisos sinceros dos amigos), sua forma de agir pôs tudo a perder; e acabaram tropeçando na corrida da sua vida. Souberam dar uma boa largada, mas não aprenderam como cruzar a linha de chegada.

O apóstolo Paulo ensina sobre a importância de estabelecer o alvo certo e manter constante a jornada no avançar em direção ao objetivo proposto, sem contudo deter-se ou ficar preso em contratempos do passado. Ele diz: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13,14).

Mantenha, pois, o seu curso passo a passo, insista, persista; procure não se comparar com os outros, tampouco superestime sua capacidade. Ande humildemente na força que Deus supre, buscando obedecer à Sua Palavra em todo o processo até ao alvo proposto. E seja misericordioso com os que tropeçam no caminho. Saiba que esses são ingredientes essenciais para uma boa chegada.

 

 
Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

CADB

CADB

Convenção da assembleia de Deus no Brasil

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