Por que o Brasil precisa do Evangelho de Cristo

Muito se tem discutido sobre os problemas peculiares ao Brasil e as possíveis soluções para a corrupção, falta de ética, imoralidade, crimes, atraso, ignorância, analfabetismo, injustiças, pobreza, entre outras deformidades e pecados sociais; e são inúmeras as opiniões e soluções apresentadas. O Brasil é particularmente muito difícil de entender. Atribui-se a Tom Jobim a seguinte frase: “O Brasil não é para amadores” – uma sacada genial que, com uma pequena variação, tornou-se o mantra de muitos jornalistas e cientistas sociais, na assertiva de que a nossa amada-pátria-mãe-gentil não é um lugar para principiantes, leigos, noviços, inexperientes, aprendizes.

Nesta coluna, tenho sempre alertado que a fé cristã genuína, ou a fé em Jesus Cristo, em Sua pessoa e obra, é a solução para os problemas do mundo caído, e isso inclui o nosso querido do Brasil. Em Cristo está a solução para todas as deformidades resultantes do pecado, das animalidades do caráter, tanto do indivíduo como de toda a sociedade. Mas eu não estou falando de fé no Cristianismo, pois há muitos cristianismos (católico, ortodoxo, copta, grego, reformado, protestante, evangélico, pentecostal, sub-pentecostal etc.) para todos os gostos, opiniões e desgostos. O que eu estou falando aqui é da fé cristã como disposta no Evangelho do Reino que Jesus viveu, pregou e ensinou. Estou postulando uma volta ao Evangelho de Cristo, pura e simplesmente.

Não confunda, pois, o Evangelho do Reino com o Cristianismo. Tudo que termina em “ismo” é sistema; portanto, em se tratando da mensagem cristã, é uma religião sistematizada. E, como tal, ela pode “dominar” a ideia sobre Cristo, colocar tudo numa espiral filosófica, fechar Sua mensagem numa caixinha teológica, enfim, imobilizar e excluir o próprio Cristo do escopo de sua crença. Por isso, vemos atualmente um Cristianismo sem Cristo, uma redenção sem sangue, um discipulado sem cruz, uma mera religiosidade sem integridade e justiça, uma santidade de fachada e alheia ao comprometimento espiritual da retidão moral e ética que se expressa na plenitude da vida pública e privada. Basta olhar para os muitos que se dizem “representantes” de Cristo!

Essa colcha de retalhos chamada Cristianismo é, portanto, uma religião densa de deveres (faça isso, busque aquilo, dê dinheiro, pague promessas etc.) e sem os privilégios do Reino (graça, misericórdia, salvação, poder do Espírito etc.). Inventaram, assim, uma santidade de mosteiro, cujo objetivo é “sair do mundo”, quando Jesus apenas orou a Deus: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17.15). Inventaram ídolos feitos pelas mãos dos homens (e são muitos!), mas deixam de adorar o único Deus Criador, que disse: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3).

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche conseguiu perscrutar o interior da alma do nosso século e, assim, desmascarou a seu modo o Cristianismo europeu. Em 1889, ele indagou: “Onde está Deus?” – e respondeu tacitamente: “Eu lhes direi, nós o matamos — você e eu. Todos somos seus assassinos!”. Eu interpreto (e sou livre para fazê-lo) que Nietzsche ficara muito enraivecido pelo fato de que os ocidentais não tinham ainda conseguido sondar as consequências devastadoras da “morte” de Deus, pois entendo que ele queria que ficasse claramente compreendido que se a crença em Deus fosse abandonada, eles deveriam também dispensar as ideias bíblicas de moralidade e significado da vida.

O problema é que se o mundo crê que evoluímos de uma bactéria primordial ou surgimos de simples primatas, ou seja, que não fomos criados por Deus para um propósito, logo não teríamos obrigação nenhuma de viver sob as leis imutáveis e eternas de Deus. Portanto, nada nos impediria de fazer tudo o que queremos, o que nos levaria inevitavelmente à banalização da vida, à violência, ao crime, à corrupção, à libertinagem sexual, bem como a muitos outros pecados abjetos, porque não teríamos contas a prestar com ninguém Superior.

Vivemos em uma era pós-cristã. E quando dizemos pós-cristã não estamos afirmando que não mais professamos ser cristãos nem frequentamos uma igreja, pois a maioria faz ambas as coisas. Antes, o que queremos dizer com pós-cristã é que a maior parte das culturas não confia mais nas verdades eternas do Evangelho do Reino, conforme pregado por Jesus, como a base de sua ética pessoal, de sua filosofia pública ou de seu consenso moral.

Jesus veio pregar o Evangelho do Reino de Deus, trazendo solução plena a todos os problemas causados pelo pecado. Jesus veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10). Jesus veio para que tenhamos vida abundante (Jo 10.10). Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6). Jesus é a solução para todos os problemas da humanidade!

Muitos têm achado em Jesus Cristo o perdão de seus pecados, a salvação e a vida eterna, bem como a vida abundante que o Seu Espírito nos concede. O Brasil, de maioria cristã, infelizmente ainda não recebeu essa bênção celestial do Reino de Deus. Assim, avancemos na certeza de que é tempo de anunciar Jesus a todas as pessoas, porque o Brasil precisa desesperadamente do Evangelho de Cristo!

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

CADB

CADB

Convenção da assembleia de Deus no Brasil

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