Na Segunda Guerra Mundial, um submarino afundou com 72 tripulantes. Navios de socorro e homens-rãs foram enviados para resgatá-los. Eles trabalharam rápido, sabendo que o oxigênio no interior do submarino duraria pouco tempo. Finalmente, um mergulhador localizou o submarino e bateu uma mensagem em Código Morse no seu casco: “Vocês estão bem?”. A resposta veio de pronto: “Sim, estamos”. O mergulhador rebateu: “Está chegando ajuda”. Os marinheiros do submarino, sabendo que o oxigênio logo acabaria, responderam: “Daqui a quanto tempo?”.
A situação espiritual em que o mundo se encontra hoje é semelhante. Pessoas vivem longes de Deus, sem paz e sem salvação, todas em perigo de morte eterna. Resta pouco tempo, o fim está próximo, Jesus está voltando. A ajuda pode estar chegando, mas esta pergunta não quer calar: “Daqui a quanto tempo?” A resposta, obviamente, depende do compromisso da Igreja com a evangelização. O que acontecerá se demorarmos um pouco mais?
Jesus nos deu uma ordem clara e específica: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Evangelizar é pregar o Evangelho de Jesus Cristo, é anunciar as boas novas de salvação a todas as pessoas. A principal razão de ser da Igreja de Jesus Cristo é tornar conhecido ao mundo todo o “conselho de Deus”. Isso significa, em suma, proclamar a palavra da salvação gratuita de Deus através de Jesus Cristo, que morreu por todos os pecadores e ressuscitou dos mortos e vive para sempre.
Pedro ensinou: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. Em outras palavras, devemos também compartilhar com os outros o maior dom recebido, a dádiva da salvação. Não evangelizar, portanto, é estar na contramão da vontade expressa de Deus, ou pelo menos, em contraposição à própria essência da nossa existência como Igreja.
Jesus disse: “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Essa é a boa notícia que temos de anunciar!
A salvação é gratuita, recebida pela fé gerada naquele que ouve a Palavra de Deus. A Bíblia diz: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Mas adverte: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” Mas também acrescenta: “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! (Rm 10.13-15).
A tarefa de evangelizar não foi dada aos anjos; foi dada a homens e mulheres que conhecem a Deus. Quando o anjo apareceu ao centurião Cornélio, em Cesareia, não lhe explicou o que deveria fazer para ser salvo, pois não era tarefa do anjo falar sobre a salvação. O anjo disse simplesmente para ele mandar chamar Simão Pedro, “o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa” (At 11.13).
Evangelho quer dizer “boas notícias”. É disso que o mundo precisa desesperadamente; e temos de agir rápido, antes que seja tarde! Infelizmente, quando se quer dizer que algo aconteceu rapidamente, cita-se o jargão: “Depressa como notícia ruim”. Notícia ruim ajuda a vender jornal, aumenta audiência televisiva, desperta o interesse das pessoas. Isso revela uma tendência humana pelo grotesco das maledicências e tragédias. Por essa razão, o mexerico prospera mais que o elogio sincero, a desonra ganha mais mídia que a honra.
Em todo o mundo, os grandes jornais tradicionais costumam publicar edições especiais com retrospectivas positivas, além de manter boletins focados no lado mais leve da vida. No entanto, a premissa de que “notícias boas não vendem tanto quanto as ruins” é um consenso histórico na indústria editorial.
A igreja, porém, vive numa perspectiva diferente, e precisa se dispor a cumprir a missão para a qual foi chamada, a de sempre anunciar as boas notícias da salvação, não importa quão ruins ou difíceis sejam os tempos. Aliás, o significado literal da palavra “Igreja” (“Ekklesia”, no grego) é “chamados para fora”, ou seja, escolhidos de um todo para uma missão especial voltados aos demais. E assim, a Igreja de Cristo é composta de membros escolhidos e enviados aonde os demais pecadores estão, a fim de proclamar as boas novas de que Jesus é o Rei eterno que vem reinar com o Seu povo, sendo o único e suficiente Salvador para todos os que creem em Sua obra salvífica realizada na cruz do Calvário.
A igreja é um corpo, um organismo vivo constituído por todos aqueles que são convertidos verdadeiramente a Jesus Cristo e são chamados para serem santos e anunciarem o evangelho da graça de Deus a todos os pecadores.
A grande tarefa inacabada da evangelização é urgente. Você vai atender ao chamado? Daqui a quanto tempo? Cabe a cada um de nós responder a Deus: “Eis-me aqui, envia-me a mim!” A tarefa é urgente! É necessário que cada crente anuncie Jesus a todas as pessoas, atendendo ao chamado divino “antes que seja tarde”!
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém