Fazer julgamentos precipitados e injustos sobre outras pessoas, moralmente falando, é como o “efeito bumerangue”. O bumerangue, quando lançado de modo eficiente, sempre volta para quem o lançou. É o caso do padeiro de uma pequena cidade, que comprava sua manteiga de um fazendeiro local. Um dia, o padeiro pesou a manteiga e descobriu que o fazendeiro estava diminuindo a quantidade nos pacotes, mas continuava cobrando o mesmo de antes. Então o padeiro o acusou de fraude.
Na corte, o juiz perguntou ao fazendeiro: “Você tem aqueles pesos para balança de dois pratos?”
“Não senhor” – respondeu o fazendeiro. “Então, como o senhor consegue pesar a manteiga que vende?”
O fazendeiro respondeu: “Quando o padeiro começou a comprar manteiga de mim, achei melhor comprar o seu pão. Tenho usado seu pão de 500 gramas como peso padrão para a manteiga que vendo. Se o peso da manteiga está errado, ele deve culpar a si mesmo”.
O efeito bumerangue existe em função da Lei da Equivalência preconizada por Jesus, que disse: “Com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Mt 7.2).
Quando alguém profere julgamento de modo precipitado e injusto, não somente está pecando contra o próximo e contra Deus, mas também se habilitando a receber de volta o mesmo tipo de tratamento. Foi o que a Escritura também ensina: “Pois aquele que faz injustiça receberá em troca a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas” (Cl 3.25).
Os fariseus do tempo de Jesus eram especialistas nisso. Ao tentarem se elevar a si mesmos, por causa de seu orgulho e vaidade, procuravam caluniar e difamar o caráter das pessoas que lhes fossem desafetas, destruindo-as. Esse padrão perdura até hoje, especialmente nos meios políticos e religiosos, levando a dividir famílias, igrejas, cidades, nações inteiras, deixando marcas profundas e difíceis de cicatrizar.
Jesus confrontou duramente os fariseus por causa desse procedimento, chamando-os de catadores de ciscos: “Por que vês tu o cisco no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o cisco do olho de teu irmão” (Mt 7.3-5). O padrão de Jesus é exigido também de todos nós hoje!
Uma charge com esse roteiro poderia parecer engraçada. Já pensou em alguém com uma trave no olho querendo tirar o cisco de outra pessoa? Isso mostra que Jesus possuía um apurado senso de humor com ironia cirúrgica; todavia, Ele jamais negociava o valor dos princípios espirituais e a sua observância.
Assim como as leis físicas, os princípios espirituais são leis que, se desobedecidas, cobrarão o seu justo preço. O que aconteceria com alguém que subisse em um penhasco e, pretextando desprezar as leis da natureza, ou julgando-as inexistentes, se lançasse lá de cima? A resposta é óbvia. Por isso, pense no que pode acontecer com alguém que ousa desafiar as leis de Deus.
A crítica injusta, principalmente pelas costas, é utilizada sistematicamente por todos os “profetas com trave no olho” que andam na contramão da lei da equivalência, os contumazes “catadores de ciscos”. O apóstolo Paulo chama essas pessoas de “difamadores” e “caluniadores”, incluindo-os na mesma lista dos soberbos, homicidas, inventores de males, desobedientes aos pais, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. (Rm 1.28-32)
Os difamadores são os mexeriqueiros, aqueles que espalham rumores secretamente. Os caluniadores são os que falam maliciosamente a respeito de uma pessoa. Há “cristãos” que jamais passariam com o carro por cima de alguém, mas, imbuídos de um falso senso de justiça, “atropelam” prazerosamente as pessoas com suas palavras maliciosas e cheias de veneno.
Nós só temos um antídoto contra isso: é o amor com que devemos nos amar. Jesus estabeleceu a marca que identificaria os seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35).
Paulo disse: “O amor seja sem hipocrisia” (Rm 12.9). Ou seja: Não tente fingir que ama, isso não funciona; pois o amor não pode ser fingido. Pedro também falou: “Tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1Pe 1.22).
Precisamos nos arrepender das maledicências e substituí-las pelas afirmações das boas palavras que só o amor pode gerar. E, se alguém tiver de “falar mal” de outro, que o faça somente a Deus em oração, e sempre perdoando e buscando o seu bem. Quanto ao mais, “não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).
Assim, pois, cuide do seu “bumerangue moral” e guarde a sua cabeça. E que Deus nos abençoe a todos para que amemos e respeitemos uns aos outros.
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém